A prática homossexual é igual a qualquer outro pecado?¹
Em meu trabalho sobre a Bíblia e a prática homossexual, com frequência
deparo com o seguinte argumento: (1) nenhum pecado é pior do que qualquer outro
pecado;2 portanto, (2) a prática homossexual não é pior do que
nenhum outro pecado. Normalmente é feita, então, comparação com pecados aos
quais muitas vezes os cristãos fazem concessões (como glutonaria ou recasamento
após divórcio), em vez de com pecados aos quais não se fazem concessões (como
incesto e homicídio), como uma forma de calar totalmente a oposição cristã à
prática homossexual ou de argumentar que participantes confessos da prática
homossexual ainda assim ‘vão para o céu’. Até mesmo muitos evangélicos que não
apoiam a prática homossexual nem eximem do julgamento divino quem persiste nela
sem se arrepender subscrevem a essas duas visões.
Às vezes tais afirmações são reforçadas por
analogia, como quando Alan Chambers, ex-líder do ministério Exodus
International, declarou na noite de abertura da sessão geral da conferência de
Exodus International em 2012: ‘Jesus não ficou suspenso na cruz um pouquinho
mais por aqueles que ... tenham se envolvido com atração por pessoas do mesmo
sexo ou que tenham sido gays ou lésbicas’. Isto soa como uma bela frase de
efeito e pode até ajudar quem pense que a prática homossexual é ruim demais
para ser perdoada por Deus. Mas não prova a afirmação de que não existe nenhuma
‘hierarquia de pecados’. A duração de tempo em que Jesus ficou suspenso na cruz
é irrelevante. É o fato da morte de Jesus que conta para a
expiação. Nem tampouco se está argumentando que a morte de Jesus não pode
cobrir grandes pecados. Cobre ‘pecadinhos’ e ‘pecadões’ daqueles que se
arrependem e creem no evangelho.
De forma simples, a cobertura universal
do pecado efetuada por Cristo por meio de sua morte na cruz não significa que
todos pecados são iguais em todos aspectos, mas apenas que todos pecados são
iguais em um aspecto: são todos cobertos. Se não o fossem, ninguém
entraria no reino, pois Deus é tão santo que qualquer pecado impediria a
entrada de qualquer pessoa, caso o mérito moral fosse a base da aceitação. Por
analogia, alguém pode ter cobertura médica de todas lesões corporais, grandes e
pequenas, e pagar a mesma quantia pela cobertura, independentemente da lesão;
isso não quer dizer, porém, que todas as lesões são de igual gravidade. Como
veremos, existe um acúmulo de provas das Escrituras (além da razão e da
experiência) que mostram que (1) os pecados diferem em importância diante de
Deus e (2) Deus considera a prática homossexual como um pecado particularmente
grave.
O porquê da visão igualitária do pecado
Por que, então, tantos insistem na ‘visão igualitária do pecado’? Deve
haver diversos motivos agindo em conjunto.
Primeiramente, muitos cristãos são ávidos por
fazer o que for possível para abrandar as críticas de defensores
homossexualistas. Estes últimos, muitos dos quais são muito bons em se sentir
ultrajados com qualquer coisa que discorde de sua agenda, ficam indignados
quando ouvem a prática homossexual descrita como pecado grave. Em segundo
lugar, há quem promova uma visão igualitária do pecado ao menos em parte por
preocupações pastorais, de modo a não afastar homossexuais abertos à discussão
com uma mensagem que talvez achem difícil de aceitar. O outro lado da história
é que talvez busquem um fundamento teológico para criticar qualquer senso de
superioridade ou espírito insensível por parte da igreja. Outros creem que a
igreja é responsável por criar uma comunidade pelos ‘direitos dos gays’ que se
mostra raivosa e ressentida, já que dá passe livre aos cristãos envolvidos em
pecados heterossexuais enquanto agride quem se envolve com o comportamento
homossexual.
Há um quê de verdade nesta perspectiva. No
entanto, a ideia de que, se a igreja tivesse passado com mais amor e mais
equilíbrio a mensagem sobre a prática homossexual, não haveria nenhuma expressão
de raiva e ressentimento por parte da comunidade dos direitos dos gays é
absurda. Jesus era amoroso, e mesmo assim foi crucificado por falar a verdade.
O pecado odeia qualquer restrição ao seu poder, e aqueles sob a influência
controladora da atração por pessoas do mesmo sexo não escapam disso. Além do
mais, expressões de indignação e esforços de intimidação são parte integral da
estratégia homossexualista para coagir a sociedade a aprovar a prática
homossexual.
Os cristãos deveriam tomar cuidado para, em sua
pressa para apaziguar os defensores homossexualistas, não acabar negando as
próprias Escrituras, que de fato caracterizam a prática homossexual em termos
muitos negativos — evidentemente não como o único pecado, mas ainda assim como
grave ofensa. É de se perguntar se os cristãos que denunciam outros cristãos
por dizer que a prática homossexual é pecado grave no fundo pensem que o apóstolo
Paulo é um extremista por dar atenção especial à prática homossexual em Romanos
1.18-32, dizendo que se trata particularmente de prática autodegradante,
vergonhosa e antinatural, que em parte é a ‘recompensa’ àqueles que se envolvem
nela.
Embora eu simpatize com a motivação pastoral que
procura enfatizar o elemento de pecado universal àqueles abertos à discussão
que talvez, de outro modo, teriam seus preconceitos anticristãos ativados, não
posso aceitar a descarada falsificação da Bíblia na afirmação de que a igreja,
ao enxergar alguns pecados (como a prática homossexual) como piores do que
outros, tenha criado uma visão tremendamente danosa que a própria Bíblia não
sustenta. Mostrarei adiante que tanto a visão geral de que determinado pecado
seja mais abominável para Deus do que outros quanto a visão específica de que a
prática homossexual é ofensa sexual particularmente grave aos olhos de Deus (em
gravidade, algo entre o incesto consensual entre adultos e a bestialidade) são
bem documentadas nas Escrituras. Em parênteses, se levam realmente a sério a
visão de que nenhum pecado é pior do que outro, não deveriam se incomodar com a
comparação com o incesto consensual (uma vez que, pelo raciocínio deles,
incesto não é pior do que nenhum outro pecado).
O que a visão hierárquica de pecados deve e
não deve fazer
Entende-se que a visão bíblica de que alguns
pecados são piores do que os outros não autoriza ninguém a:
1. Negar a própria pecaminosidade sem Deus e a
necessidade da expiação de Cristo.
2. Buscar desculpas para seu próprio pecado.
3. Tratar os outros de maneira odiosa ou desejar
que não venham ao arrependimento (à maneira da visão inicial de Jonas em
relação aos ninivitas).
4. Enxergar qualquer pessoa como imoral ou
espiritualmente inferior simplesmente por experimentar impulsos para fazer o
que Deus proíbe firmemente.
Em relação aos pontos 1 e 2, Paulo cria tanto
que (1) determinado pecado é pior do que outros (idolatria e
imoralidade sexual eram grandes preocupações, por exemplo; e, dentro da categoria
de imoralidade sexual, tinha particular repulsa à prática homossexual, e então
ao incesto (entre adultos), e enfim ao adultério e ao sexo com prostitutas, cf.
Rm 1.24-27; 1 Co 5; 6.9,15-17; 1 Ts 4.6); quanto que (2)
‘todos pecaram e carecem da glória de Deus’, e só é possível ser justificado
pela graça de Deus por meio da obra redentora de Cristo (Rm 3.23-25). Os dois
pontos não estão em oposição e nem mesmo em tensão. O fato de que todo pecado é
igual em um certo aspecto — qualquer pecado pode impedir uma pessoa de entrar
no reino de Deus, se não receber a Cristo —, não leva à inferência de que todo
pecado é igual em todos os aspectos — alguns pecados levam Deus a trazer
julgamento sobre seu povo mais do que outros pecados.
No que diz respeito ao terceiro ponto,
reconhecer a gravidade específica da prática homossexual não deveria de forma
alguma diminuir o amor e cuidado pastorais dispensados àqueles que agem
conforme suas atrações por pessoas do mesmo sexo. Pelo contrário: quanto maior
a gravidade do pecado, maior a extensão do amor. É esta lição que aprendemos de
Jesus em sua aproximação aos cobradores de impostos e pecadores na área sexual.
Existe a tendência na igreja, em ambos os lados do espectro teológico, de
correlacionar gravidade da ofensa e falta de amor. Assim, o liberal argumenta
que, a fim de amar alguém, temos de reduzir a gravidade da ofensa da qual
participa o pecador ou eliminar totalmente a ofensa. O conservador às vezes
defende a gravidade da ofensa à custa de mostrar amor ao pecador. Jesus (e
Paulo) nos ensinou a guardar o amor e uma ética sexual reforçada
simultaneamente. Não teve de diminuir a gravidade da ofensa de abusivos
cobradores de impostos a fim de amá-los. Antes, por ser sua ofensa tão grave
(isto é, colocar os outros em risco de fome ao cobrar taxas acima do que lhes
fora designado, tirando proveito disso), dedicou uma proporção maior de seu
ministério para alcançá-los. A relação inversa entre a gravidade da ofensa e a
extensão do amor (quanto maior a ofensa, menor a extensão do amor; quanto maior
a extensão do amor, menor a ofensa) é puro paganismo que devemos excluir da
igreja completamente.
No que concerne ao quarto ponto, ninguém tem
culpa meramente por experimentar impulsos que não buscou experimentar e não
procurou cultivar. Por exemplo, o fato de que alguém experimente atrações por
pessoas do mesmo sexo de maneira alguma é motivo de fazê-lo moralmente culpável
nem justifica designá-lo como moralmente depravado. Desejos sexuais homoeróticos,
assim como quaisquer desejos para fazer o que Deus expressamente proíbe, são
desejos pecaminosos (isto é, são desejos para pecar), e é por isso que quem
experimenta os desejos não deveria ceder a eles, seja em sua vida de pensamento
consciente, seja em seu comportamento. Sentimentos de inveja, cobiça, avareza,
orgulho ou excitação sexual por uma união ilícita são todos desejos
pecaminosos, mas ninguém é culpável por eles, a não ser que voluntariamente os
alimente em sua mente ou os evidencie em seu comportamento.
O que a visão bíblica sobre diferentes
gravidades dos pecados autoriza a fazer é o seguinte:
1. Usá-la para avaliar a distância do desvio
alheio em relação à graça de Deus e, assim, o nível de intervenção necessário.
2. Negar que concessões sociais ou eclesiásticas
a alguns pecados (como divórcio e recasamento após divórcio) justifiquem
concessões a pecados maiores (adultério, incesto, prática homossexual,
pedofilia, bestialidade). Pode-se logicamente partir apenas das ofensas maiores
para as menores, e não das menores para as maiores.
Deus nos deu a todos um senso de certo e errado
em nossas consciências. Com razão, temos um senso de que algumas ações são mais
malignas do que outras e codificamos este senso em nossas leis, ainda que imperfeitamente.
É verdade que mesmo as nossas consciências são afetadas pela influência
corruptora do pecado, e em nenhum caso isso é mais evidente do que quando
buscamos desculpas para nosso próprio pecado. Contudo, o princípio de
que alguns pecados são mais abomináveis do que outros, não apenas em seus
efeitos sobre seres humanos, mas também na avaliação divina, foi dado por Deus.
Se não tivéssemos este senso em nosso compasso moral, a sociedade seria
muitíssimo mais perversa do que já é.
Lógica, experiência e as grandes tradições
cristãs
Naturalmente, todas as pessoas razoáveis
reconhecem que uma mulher contar a seu marido uma ‘mentirinha’ sobre ter
gastado 25 dólares, em vez de 50, em um novo relógio, não é tão ruim quanto ele
ter praticado adultério contra ela com outras cinco pessoas. Naturalmente,
pessoas razoáveis devem admitir que, aos olhos de Deus (e não apenas aos nossos
olhos ou aos da vítima), é pior um pai estuprar seu filho do que lhe dar uma
bronca um pouco além do necessário por causa de um erro.
Ninguém realmente vive como se cresse que todos
os pecados são igualmente graves no plano moral. De fato, muitas vezes são
aqueles que argumentam em relação à prática homossexual que todo pecado é igual
que ficam particularmente irritados se alguém compara uniões homossexuais com
incesto (entre adultos), bestialidade ou pedofilia. E o fazem precisamente
porque consideram incesto, bestialidade e pedofilia como realmente malignos e
não querem que o comportamento homossexual seja associado com aquelas práticas.
Tal reação, contudo, já é concessão ao princípio óbvio de que alguns pecados
são piores do que outros. Não passa um dia sequer sem que as pessoas
regularmente avaliem algumas ações como erros maiores do que outros. Na minha
casa, se minha filha mais nova for para a cama, mas sorrateiramente pegar uma
lanterna para ler ou desenhar bem depois da hora de dormir e contra os desejos
de seus pais, terá cometido um erro, mas relativamente mais leve se comparado
com, digamos, bater no irmão.
A crença de que todos os pecados são iguais para
Deus em todos aspectos não apenas é absurdo à lógica e experiência humanas; as
grandes tradições cristãs também concordam que determinado pecado é pior do que
outros. Isto é reconhecido mesmo na tradição reformada, que enfatiza
(corretamente) a depravação humana universal (nota: sou presbítero ordenado da
Igreja Presbiteriana dos EUA — PC-USA). Por exemplo, o Catecismo Maior
presbiteriano da Confissão de Fé de Westminster (1647) afirma: ‘As
transgressões da lei de Deus não são todas igualmente abomináveis, mas alguns
pecados por si sós, e em razão de diversos agravantes, são mais abomináveis aos
olhos de Deus do que outros’ (7.260, grifo meu; elaboração em 7.261;
cf. o Catecismo Menor 7.83).
Esta não é somente uma visão protestante, mas
também católica (note a diferença entre pecados veniais e mortais, bem como
diferenciações de gravidade dentro da categoria de pecados mortais) e ortodoxa.
Convido qualquer um a citar uma formulação confessional de alguma denominação
cristã importante que defenda que todo pecado é igualmente ruim na avaliação
divina (talvez exista, mas desconheço). Para uma perspectiva evangélica
contemporânea, veja o artigo de J. I. Packer para a revista Christianity
Today(2005) intitulado ‘All Sins Are Not Equal’ [Os pecados não são todos
iguais].3
Ora, devo admitir que citar a visão consensual
das principais tradições cristãs não prova que alguns pecados são realmente
mais abomináveis para Deus do que outros. Meu objetivo é simplesmente mostrar
que a visão sobre o assunto adotada neste artigo se enquadra na corrente
histórica da fé cristã.
O fundamento escriturístico da visão de que
alguns pecados são piores do que outros
Ainda assim, continuo sendo um ‘homem da Bíblia’; então, atentemos para
ela. Provas para a visão de que a Bíblia considera alguns pecados como
piores do que outros são praticamente infindáveis, de modo que
encerrarei a lista quando chegar numa dúzia de exemplos.
(1) No Antigo Testamento, existe claramente uma
classificação de pecados. Por exemplo, em Levítico 20, que reordena as
ofensas sexuais do capítulo 18 conforme a severidade da ofensa/pena, com as
ofensas sexuais mais graves agrupadas primeiro (20.10-16). Dentro do primeiro
nível de ofensas sexuais (ao lado de adultério, as piores formas de incesto, e
bestialidade) está a relação sexual com alguém do mesmo sexo. Obviamente,
variadas penas para diferentes pecados se encontram por todo o material legal
do Antigo Testamento.
(2) Após o episódio do bezerro de ouro, Moisés
disse aos israelitas: ‘Cometestes um grande pecado. Agora, porém,
subirei ao Senhor; talvez eu possa fazer expiação pelo vosso pecado’ (Êx
32.30). Obviamente, o episódio do bezerro de ouro foi um enorme pecado por
parte dos israelitas, algo confirmado pela gravidade do julgamento divino. Deve
ter havido muitos tipos de pecados entre os israelitas, desde o momento em que
partiram do Egito. Apenas em ocasiões específicas, no entanto, a ira de Deus se
acendeu contra as ações dos israelitas — por que motivo, se todos pecados são
igualmente abomináveis para Deus?
(3) Números 15.30 refere-se às ofensas
praticadas com ‘punhos cerrados’ (deliberadamente e, talvez, em tom de
desafio) como se fossem de natureza mais séria do que pecados relativamente
involuntários (15.22,24,27,29).
(4) Em Ezequiel 8, o profeta é
erguido por um anjo ‘nas visões de Deus’ e levado até Jerusalém, onde vê
diferentes graus de idolatria ocorrendo nos arredores do Templo e o anjo
declarando duas vezes a frase:‘Verás abominações ainda maiores que estas’ (isto
é, coisas detestáveis para Deus; 8.6,13,15; 8.17), depois de uma sequência de
visões.
(5) Jesus referiu-se ao ‘que há de mais
importante na Lei’ (Mt 23.23), como justiça, misericórdia e fidelidade
— era mais importante obedecer a estas coisas do que ao dízimo de especiarias,
mesmo que não se devesse desprezar tais ofertas. Formulações deste tipo
implicam que violações do que há de mais importante ou dos principais
mandamentos (como não defraudar os pobres de seus recursos tendo em vista ganho
pessoal) são mais graves do que violações de mandamentos menores ou ‘mais
leves’ (por exemplo, dar o dízimo de pequenos alimentos, como especiarias),
que, segundo Jesus, deveriam ser praticados sem deixar de lado as questões mais
importantes. Jesus acrescenta a seguinte crítica: ‘Guias cegos! Coais
um mosquito e engolis um camelo’ (23.24). Qual é a diferença entre um
mosquito e um camelo, se todos os mandamentos e todas as violações são iguais?
(6) Famosa também é a identificação que
Jesus fez dos dois mandamentos mais importantes (Mc 12.28-31). Ele
também disse: ‘Quem desobedecer a um desses mandamentos [da lei], por
menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino
do céu’ (Mt 5.19). Novamente, apresentar mandamentos maiores e menores significa
apresentar violações maiores e menores.
(7) Sugeriria que a especial aproximação
de Jesus a quem explorava os outros economicamente (cobradores de impostos) e a
quem pecava na área sexual, sempre no esforço de restaurá-los para o
reino de Deus que ele proclamava, não era tanto uma reação ao abandono deles
pela sociedade quanto uma indicação da especial gravidade desses pecados e o
perigo espiritual extremo que tais pessoas encaravam. Nesse sentido, pode-se
pensar na história da mulher pecadora que lavou os pés de
Jesus com lágrimas, enxugou-os com seus cabelos, beijou-os com seus lábios, e
ungiu-os com óleo (Lc 7.36-50). Jesus explicou o ato extraordinário da mulher
contando uma parábola de dois devedores: aquele a quem o credor mais
perdoa é quem mais o ama. A dedução óbvia é que a mulher pecadora
tinha feito algo pior aos olhos de Deus. Embora o anfitrião fariseu de Jesus
não tenha gostado que a mulher tenha tido contato com Jesus, este louvou as
ações dela: ‘Os pecados dela, que são muitos [ou grandes], lhe são perdoados,
pois ela amou muito [ou grandemente]; mas aquele a quem se perdoa pouco, este
ama pouco’ (7.47). Muitos cristãos tratam a ideia de ser perdoado de maiores
pecados como algo ruim. Jesus subverteu-a. Pense só como cristãos que enfatizam
que todos pecados são iguais poderiam empregar o conceito bíblico de alguns
pecados serem mais graves do que outros: alguns de nós talvez
precisassem de mais perdão, mas posso dizer que isto nos fez entender a graça
do Senhor de uma forma melhor e, portanto, amar o Senhor ainda mais.
(8) Outro caso óbvio de priorização de algumas
ofensas como piores do que outras é a caracterização de Jesus sobre a ‘blasfêmia
contra o Espírito Santo’, ‘pecado eterno’ do qual nunca se terá perdão
— no contexto, refere-se aos fariseus terem atribuído os exorcismos de Jesus ao
poder demoníaco (Mc 3.28-30).
(9) De acordo com João 19.11, Jesus
disse a Pilatos: ‘Nenhuma autoridade terias sobre mim, se do alto não te fosse
dada; por isso, aquele que me entregou a ti incorre em pecado maior’.
A referência é a Judas (6.71; 13.2,26-30; 18.2-5) ou ao sumo sacerdote Caifás
(18.24,28). ‘Pecado maior’ naturalmente implica que a ação de Pilatos é pecado
menor.
(10) Paulo fala sobre diferentes níveis
de ação em 1Coríntios 3.10-17: é possível construir de qualquer jeito
sobre o fundamento de Cristo e sofrer perda, mas ainda assim herdar o reino. No
entanto, ‘destruir o templo de Deus’, a comunidade local de cristãos, por
questões indiferentes traria sobre a pessoa sua própria destruição efetuada por
Deus. Contrasta-se esta destruição com ser ‘salvo ... pelo fogo’ por causa das
ofensas menores. Importantes comentaristas de 1Coríntios (por exemplo, Gordon
Fee [pentecostal], Richard Hays [metodista], David Garland [batista] e Joseph
Fitzmyer [católico]) concordam (1) que se faz distinção entre o grau de
gravidade das ações; e (2) que Paulo aborda a salvação individual do cristão.
Assim diz Gordon Fee: ‘Que Paulo atenta para uma verdadeira ameaça de punição
eterna parece também ser o sentido óbvio do texto’. ‘Quem é responsável por
desmantelar a igreja pode esperar julgamento à altura; é difícil fugir do
sentido de juízo eterno neste caso, dada a sua proximidade com os vv. 13-15’ (The
First Epistle to the Corinthians [NICNT; Grand Rapids: Eerdmans,
1987], pp. 148-149). O mesmo pensa Garland, que de forma sucinta afirma que
‘juízo desolador’ aguarda a quem destrói a comunidade em Corinto: ‘sua salvação
está em risco’ (p. 121).
(11) Se todo pecado é igualmente grave para
Deus, por que Paulo destacou a ofensa do homem incestuoso em 1Coríntios
dentre todos os pecados dos coríntios como motivo para exclusão da comunidade? Por
que tamanha expressão de choque e indignação da parte de Paulo? Além disso, se
não existisse uma classificação de mandamentos, como Paulo poderia ter
rejeitado de imediato um caso de incesto que mostrava consenso entre dois
adultos, era monógamo e comprometido? Se os valores da monogamia e compromisso
pelo resto da vida fossem de mesmo peso que a exigência de certo nível de
alteridade familiar, Paulo poderia não ter tomado uma decisão quanto ao que
fazer. Naturalmente, para Paulo, não foi uma questão difícil de decidir. Ele
sabia que a proibição de incesto era mais fundamental.
(12) Primeira João 5.16-17 diferencia entre
‘pecado que não é para morte’ (pelo qual a oração pode surtir efeito e salvar a
vida do pecador) e ‘pecado para a morte’ (pecado mortal, pelo
qual a oração não surtirá efeito).
Estes doze exemplos (será que precisamos mesmo
de mais?) já devem deixar claro que a afirmação de que a Bíblia não indica em
lugar algum que determinados pecados são piores aos olhos de Deus não tem
nenhum mérito.
Cristãos às vezes ficam confusos sobre a questão
ao pensar no argumento de Paulo acerca do pecado universal em Romanos
1.18—3.20. Sim, Paulo argumenta que todos seres humanos, judeus e gentios sem
nenhuma distinção, estão ‘debaixo do pecado’ e ‘sujeito[s] ao julgamento de
Deus’. De fato, sua posição não é simplesmente que ‘todos pecaram e estão
destituídos [ou carecem] da glória de Deus’ (3.23), mas também que todos
‘substituíram a verdade de Deus’ e de nós mesmos acessível nas estruturas
materiais da criação (1.18-32) ou na revelação direta das Escrituras
(2.1—3.20). Paulo argumenta o seguinte: não podemos dizer que pecamos, mas não
sabíamos que pecamos. Pecamos e sabíamos (em algum lugar nos recônditos da
nossa alma) ou, ao menos, recebemos muitas provas disso. Em resumo, todos são
‘indesculpáveis’ por não glorificar Deus como Deus (1.20-21).
O que Paulo diz é que qualquer
pecado pode excluir alguém do reino de Deus, se esse alguém pensa que pode
conquistar a salvação por mérito pessoal ou que dispensa a morte reparadora e a
ressurreição vivificadora de Jesus. O que Paulo não diz é que
todo pecado é igualmente ofensivo a Deus em todos aspectos. O argumento em
Romanos 2, por exemplo, não é que os judeus pecam tanto (quantitativamente) ou
tão notoriamente quanto (qualitativamente) os gentios de maneira geral.
Qualquer judeu, incluindo Paulo, teria rejeitado esta conclusão de imediato.
Idolatria (1.19-23) e imoralidade sexual / homossexualidade (1.24-27) não era
nem de longe um problema tão grande entre os judeus como o era entre os gentios
(evidentemente, ‘os pecados comuns’ de 1.29-31 já eram mais problemáticos).
Antes, o argumento é que, embora os judeus pequem menos e de forma menos
notória em relação aos gentios de maneira geral, todavia têm mais conhecimento
porque têm mais acesso às ‘palavras de Deus’ nas Escrituras (2.17-24;
3.1,4,9-20). Então, tudo fica nivelado, por assim dizer, no que diz respeito à
necessidade de receber a obra graciosa de Deus em Cristo (3.21-31).
Paulo, no entanto, não começou a extensa lista
de vícios em Romanos 1.18-32 com idolatria e imoralidade sexual
(especificamente, prática homossexual) e dedicou tanto espaço para estes dois
tipos de pecado (9 versículos, comparados com 4 versículos para todos os outros
juntos) só para então demonstrar que todo pecado é igual. Sim, parte do
propósito de Paulo ao dar especial atenção aos dois pecados pode ter sido uma
armadilha para o seu confiante (e imaginário) interlocutor judeu, apelando aos
seus preconceitos antigentílicos. Com certeza, também, podem ter sido exemplos
particularmente bons para provar o argumento apresentado em 1.18-20 sobre os
humanos suprimirem uma verdade óbvia acerca de Deus e de si mesmos visível nas
‘coisas criadas’ (1.20). Existe, todavia, um terceiro motivo para Paulo dar
especial atenção aos dois vícios. Tem a ver com o fato de que Paulo quase sempre
começava listas de vícios ou pecadores com idolatria e imoralidade sexual,
tanto fazendo a ordem destes dois, em suas palavras dirigidas aos cristãos —
não apenas em Romanos 1.18-32. Ele assim o fazia porque considerava idolatria e
imoralidade sexual como ofensas particularmente graves (dentro de um conjunto
de pecados não incomuns), que não apenas traziam destruição para o povo de
Deus, mas também, francamente, ‘irritavam’ a Deus sobremaneira.
Este ponto é reforçado por Paulo com a história
das peregrinações de Israel no deserto após deixarem o Egito, história que
Paulo discute em 1 Coríntios 10.1-13. O que realmente aborreceu a Deus e
precipitou a destruição divina foi a idolatria e imoralidade sexual deles:
Essas
coisas aconteceram como exemplo para nós, a fim de que não cobicemos as coisas
más, como eles cobiçaram. Não vos torneis idólatras, como alguns
deles ... Nem pratiquemos imoralidade, como alguns deles
fizeram, e caíram num só dia vinte e três mil. (1 Co 10.6-8, grifo meu)
O fundamento escriturístico da visão de que a prática homossexual é
pecado sexual particularmente grave
Pois bem, se os autores bíblicos e Jesus tratam alguns
pecados como piores aos olhos de Deus do que outros pecados, será que
consideram a prática homossexual como um dos pecados sexuais
mais graves? Muitos cristãos que consideram a prática homossexual
pecado diriam ‘não’ (obviamente, ‘liberais’ que não veem a prática homossexual
como pecaminosa descartariam a questão prontamente.) A seguir vão sete bons
argumentos para mostrar por que creio que a resposta à questão é ‘sim’.
(1) Tanto a descrição fortemente desfavorável e a atenção que Paulo dá
extensamente à prática homossexual em Romanos 1.24-27 indicam que Paulo
considerava a prática homossexual como uma infração particularmente séria da
vontade de Deus. Em complemento à idolatria no vetor vertical das relações
divino-humanas, Paulo escolheu a ofensa da prática homossexual como seu exemplo
principal no vetor horizontal das relações humanas a fim de ilustrar a
perversidade humana ao substituir a verdade óbvia de Deus para nossas vidas
percebida na criação ou natureza. Faz pouco sentido argumentar que Paulo
dedicou mais espaço em Romanos 1.24-27 para falar sobre como a
prática homossexual é ‘desonrosa’ ou ‘degradante’, ‘contrária à
natureza’, uma ‘indecência’ ou ‘comportamento obsceno/vergonhoso’, e uma
‘recompensa’ adequada ao seu desvio de Deus só com o intuito de
mostrar que a prática homossexual não é pior do que nenhum
outro pecado. Paulo claramente gastou mais tempo discutindo a idolatria e a
prática homossexual porque eram exemplos clássicos e não incomuns da grande
depravação humana que somente poderiam ocorrer depois que os seres humanos
fechassem os olhos para a verdade ao seu redor. No caso da prática homossexual,
os seres humanos teriam de suprimir a evidente complementaridade sexual de
homem e mulher (anatomicamente, fisiologicamente, psicologicamente) antes de se
envolver em relação sexual com pessoas do mesmo sexo.
(2) O apelo que Jesus fez a Gênesis 1.27 (‘homem
e mulher os criou’) e 2.24 (‘o homem deixará seu pai e sua mãe
e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne’), em suas observações sobre
divórcio e recasamento em Marcos 10.6-9 e Mateus 19.4-6, mostra
como era importante para Jesus o pré-requisito de homem e mulher para o casamento.
Jesus argumentou que a dualidade dos sexos ordenada por Deus na criação era o fundamento
para limitar a dois o número de pessoas em união sexual, seja
simultaneamente (em contraste com a poligamia) ou sequencialmente (contra o
divórcio reiterado e recasamento). Se Jesus considerava homem e mulher como
pré-requisito fundamental para extrair outros princípios de ética sexual (isto
é, monogamia conjugal e indissolubilidade), não seria uma violação direta do
fundamento (prática homossexual) mais grave do que uma violação de princípios
construídos a partir daquele fundamento (poligamia, adultério, recasamento após
divórcio)?
O argumento segundo o qual Jesus deve ter
considerado divórcio e recasamento após divórcio como questões mais sérias
(isto é, porque ele explicitamente os critica) perde de vista que Jesus não
teve que argumentar contra a prática homossexual no judaísmo do século I, pois
a própria ideia de se envolver neste comportamento era impensável para judeus
(não há exemplos de judeus em defesa do comportamento, muito menos de judeus
envolvidos nele, nos séculos em torno da vida de Jesus). Jesus estava
determinado a fechar as brechas remanescentes na ética sexual judaica (outra
era o adultério no coração), e não recapitular proibições mais severas já
aceitas universalmente pelos judeus. Por exemplo, o fato de que Jesus não disse
nada sobre o incesto é indicação de que ele aceitou as fortes restrições da lei
levítica. Não é indicação de que considerava o recasamento após divórcio como
ofensa igualmente ou mais séria.
(3) Além da exclusão do sexo entre humanos e
animais, a exigência de homem e mulher para as relações sexuais é a
única mantida absolutamente para o povo de Deus desde a criação até Cristo.
A primeira diferenciação humana na criação é a diferenciação entre homem e
mulher. Em Gênesis 2.21-24, a criação da mulher é retratada
como a extração de uma ‘costela’ ou (melhor) ‘lado’ do ser humano, de modo que
homem e mulher são partes de um todo integrado e único. A mulher é retratada
como a ‘contrapartida’ ou ‘complemento’ (heb. negdo). O
pré-requisito de homem e mulher é, portanto, fundamentado no primeiro ato da
criação. Compare a situação com proibições ao incesto: a maioria delas não pôde
ser implementada até que a família humana se espalhasse e se tornasse numerosa.
Além disso, enquanto se vê uma concessão limitada da poliginia no Antigo
Testamento (múltiplas mulheres para homens, mas nunca poliandria, múltiplos
esposos para mulheres), subsequentemente revogada por Jesus, e certa concessão
limitada nos primórdios de Israel daquilo que posteriormente seria denominado
incesto na lei levítica (por exemplo, o casamento de Abraão com sua meia-irmã
Sara; o casamento de Jacó com duas irmãs enquanto ambas estavam vivas), não
existe absolutamente nenhuma concessão à prática homossexual na história de
Israel. Praticamente todas as leis, narrativas, poesias, provérbios, exortações
morais e metáforas que lidam com questões sexuais no Antigo Testamento pressupõem
o pré-requisito de homem e mulher. As únicas exceções são períodos de apostasia
no Israel antigo (por exemplo, a existência de prostitutas cultuais
homossexuais, que os narradores bíblicos também classificam como abominação).
Por que não há exceções inegáveis? O motivo é óbvio: o pré-requisito de
homem e mulher pertence ao fundamento inviolável, sumamente sagrado a Deus. Poliginia é
violação do princípio de monogamia, extrapolando apenas de forma
secundária o pré-requisito de homem e mulher. Incesto é
violação da exigência de alteridade corpórea, extrapolando apenas de forma
secundária a analogia fundamental da alteridade sexual estabelecida na
criação. Consequentemente, a prática homossexual é pior do que incesto e
poliamor porque (1) é ataque direto ao paradigma sexual instituído no próprio
início da criação, ao passo que proibições de incesto e poliamor foram
elaboradas apenas de forma secundária, a partir do paradigma homem-mulher; e
(2) a prática homossexual, diferentemente de incesto e poliamor, nunca é
concretizada por personagens positivos na narrativa do Antigo Testamento nem
sancionada pela lei israelita.
(4) Levítico 20 elenca a prática
homossexual no primeiro nível de ofensas sexuais (adultério, as piores
formas de incesto, e bestialidade, 20.10-16) que são piores do que o segundo
nível de ofensas sexuais (20.17-21). Em Levítico 18, embora no
resumo conclusivo (Lv 18.26-27,29-30) todas as ofensas sexuais de Levítico 18
sejam rotuladas conjuntamente como ‘abominações’, atos ‘repugnantes’ (to’evoth),apenas
a relação sexual entre homens em 18.22 (e 20.13) é
especificamente rotulada com o singularto’evah. Fora do
Código de Santidade de Levítico 17—24, o termo normalmente é usado para
diversasofensas morais graves (não apenas atos de
impureza ritual), incluindo ocasionalmente a prática homossexual (Dt 23.18; 1
Rs 14.24; Ez 16.50; 18.12; provavelmente também Ez 33.26).
(5) Uma trilogia de histórias sobre
depravação extrema — o pecado de Cam contra seu pai
Noé (Gn 9.20-27), a tentativa de agressão sexual dos visitantes de sexo
masculino pelos homens de Sodoma(19.4-11) e a tentativa de agressão
sexual do levita que passava por Gibeá (Jz 19.22-25) —
apresenta a tentativa ou concretização de um ato de relação sexual
entre homens como elemento integral da depravação.
(6) A natureza grave da prática homossexual se
confirma amplamente em textos judaicos do período do Segundo Templo e
posteriores (para citações, especialmente de Fílon e Josefo, ver meu
livro The Bible and Homosexual Practice, pp. 159-183). Os
judeus no período greco-romano consideravam a relação sexual entre
homens como o exemplo primeiro, ou ao menos como um dos principais
exemplos, daimpiedade gentílica (por exemplo, Oráculos
sibilinos 3; Carta de Aristeas 152). Apenas a
bestialidade parece ser classificada como ofensa sexual maior, ao menos dentre
os atos ‘consensuais’. Existe certa discordância no judaísmo antigo,
discutindo-se se sexo com a própria mãe é pior, comparável ou mais grave. A
ausência do registro de um caso específico de relação entre pessoas do mesmo
sexo no judaísmo antigo do século V a.C. até cerca de 300 d.C. também testifica
a gravidade da ofensa. A propósito da possibilidade de judeus envolver-se nesta
prática repugnante, o texto rabínico da Toseftácomenta pura e
simplesmente: ‘Israel está acima de qualquer suspeita’ (Quidusim 5.10).
(7) A posição histórica da igreja ao longo dos séculos é
que a Bíblia entende a prática homossexual como ofensa sexual extrema.
Por exemplo, entre os pais da igreja, Cipriano (200-258) chamou-a de ‘algo
indigno até de ver’. João Cristóstomo (344-407) referiu-se a ela como
‘insanidade monstruosa’, ‘prova clara do grau último de corrupção’ e ‘cobiça
por algo monstruoso’. Teodoreto de Ciro (393-457) chamou-a de ‘impiedade
extrema’. João Calvino, nem um pouco negligente quando se tratava de enfatizar
a depravação universal, mesmo assim taxou a prática homossexual de ‘o temível
crime da cobiça antinatural’, pior do que ‘desejos bestiais, uma vez que
[reverte] toda a ordem da natureza’, além de ‘corrupção viciosa’, ‘feitos
monstruosos’ e ‘esse ato abominável’.
Considerações finais
A Bíblia é clara e coerente nestes quatro pontos:
1) Algumas ordens divinas são mais severas, maiores e mais fundamentais
do que outras.
2) Algumas violações, portanto, são maiores do que outras.
3) Violações de ordens maiores são forte indicação de uma alma enferma e
de uma vida que nunca foi guiada pelo Espírito ou, então, que agora se desvia
da condução do Espírito.
4) Apenas quem é guiado pelo Espírito e anda na luz participa da obra
redentora da cruz. Como diz 1 João 1.7: ‘se andarmos na luz, assim como
ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu
Filho, nos purifica de todo pecado’. O texto não diz: se você creu em Jesus
em algum momento de sua vida, o sangue de Cristo o purificará de todo pecado,
independentemente de como você se comporte. Diz, porém: ‘se estivermos andando
na luz ... o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado’. Não
existe nenhuma transferência de pecado para Cristo sem que haja também
transferência do ego; nenhuma vida sem morte; nenhum salvação da própria vida
sem perdê-la.
Se deparasse com um irmão em Cristo sendo um
pouco descontrolado em relação a dinheiro ou questões materiais; começando a
ter limites muito lassos em interações com pessoas que lhe possam ser
sexualmente interessantes ou começando a ter mais lutas com o desejo sexual em
sua mente; ou reclamando demais, provavelmente não concluiria que houvesse algo
gravemente errado na vida espiritual daquele irmão. Mas, se descobrisse que
aquele mesma pessoa, que se dizia irmão na fé, tinha se tornado ladrão de banco
ou estava usando o esquema de pirâmide para faturar em cima da economia alheia;
que estava envolvido em caso de adultério ou estava dormindo com sua própria
mãe ou tendo relações sexuais com pessoas do mesmo sexo, ficaria um pouco mais
preocupado sobre o relacionamento daquela pessoa com Cristo. Por quê? Quanto maiores
os pecados, maior a indicação de que a pessoa não vive uma vida guiada pelo
Espírito, algo que necessária e naturalmente flui da fé genuína. Será que
existe algum cristão que não pensa (corretamente) desta forma?
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1Publicado
em 7 de janeiro de 2015. Original disponível em
http://www.robgagnon.net/articles/is_homosexual_practice_no_worse.htm.
Traduzido por Djair Dias Filho.
2Este artigo é
uma versão levemente modificada das páginas 15-25 de um artigo que escrevi em
30 de junho de 2012, intitulado ‘Time for a Change of Leadership at Exodus?’
[Tempo para uma mudança de liderança no ministério Exodus?]. O artigo
questionava se Alan Chambers deveria continuar como presidente de Exodus
International, um ministério para aqueles que tinham atração por pessoas do
mesmo sexo e buscavam ajuda para viver em obediência sexual a Jesus Cristo.
Como aquele artigo lidou com uma questão que agora está resolvida (Chambers
enfim destruiu Exodus; outro grupo, Restored Hope Network [Rede da Esperança
Restaurada], apareceu em seu lugar), esta seção que aborda uma questão
atemporal poderia cair no esquecimento.
3Disponível
em http://www.christianitytoday.com/ct/2005/january/19.65.html