quarta-feira, 10 de junho de 2015

O CARÁTER DE DEUS

O CARÁTER DE DEUS
O CONHECIMENTO E O DESAFIO AO APRENDIZADO
O conhecimento é o princípio do aprendizado. Nosso estudo propõe aprendizado que gere as mudanças essenciais das quais tanto necessitamos para alcançar a maturidade cristã (Ef.4:13)
“Se nós somos aquilo que aprendemos, podemos evoluir ao aprender mais e continuamente, e especialmente ao praticar aquilo que acabamos de aprender.
Toda mudança resulta seja da aquisição de conhecimentos novos, seja da reconstrução da realidade.” Françoise K-Belliard

OBJETIVOS:
O conhecimento de Deus é um chamado para a comunhão plena.
O caráter de Deus é o fundamento do mais profundo conhecimento dEle.
Quando desconhecemos o caráter de Deus vivemos como seres perdidos, confusos e inseguros, à mercê do desespero interior, dos enganos do diabo, e ainda das manipulações e abusos sociais, psicológicos, filosóficos e religiosos.

É preciso considerar SERIAMENTE que estamos diante do Deus absoluto que decidiu, com propósito misterioso, REVELAR O SEU CARÁTER:
Através dos seus atos poderosos
Através das suas intervenções que marcaram a história
Através de sua Auto-manifestação na criação(natureza, etc.)
Através dos profetas
Paulo nos diz que se pretendemos viver
“de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado”, então precisaremos viver continuamente”crescendo no pleno conhecimento de Deus” (Cl.1:10)

DEFINIÇÕES:
Exercício reflexivo:
Defina com suas próprias palavras e compartilhe com uma pessoa do grupo:
CARÁTER: __________________________________________________
QUALIDADES:________________________________________________
DEUS: ______________________________________________________




"O que a Bíblia ensina a respeito da Trindade?"

"O que a Bíblia ensina a respeito da Trindade?"

Resposta:
A coisa mais difícil a respeito do conceito cristão da Trindade é que não há maneira de explicá-lo adequadamente. A Trindade é um conceito impossível de ser totalmente compreendido por qualquer ser humano, quanto mais explicado. Deus é infinitamente maior do que nós, por isso não devemos esperar que sejamos capazes de compreendê-Lo totalmente. A Bíblia ensina que o Pai é Deus, que Jesus é Deus e que o Espírito Santo é Deus. A Bíblia também ensina que há um só Deus. Mesmo podendo compreender alguns fatos sobre a relação das diferentes pessoas da Trindade umas com as outras, no geral, a Trindade é incompreensível à mente humana. Entretanto, não significa que não seja verdade ou fora dos ensinamentos da Bíblia.

Ao estudar este assunto, lembre-se de que a palavra “Trindade” não é usada nas Escrituras. Este é um termo usado em uma tentativa de descrever o Deus triúno, e o fato de haver 3 pessoas co-existentes e co-eternas perfazendo um só Deus. Compreenda que DE JEITO ALGUM se sugere aqui que haja 3 Deuses. A Trindade é 1 Deus feito de 3 pessoas. Não há nada errado em usar o termo “Trindade”, mesmo que esta palavra não se encontre na Bíblia. É mais prático dizer a palavra “Trindade” do que dizer “3 pessoas co-existentes e co-eternas perfazendo um só Deus”. Se isto for problema para você, considere isto: a palavra avô também não é usada na Bíblia. Mesmo assim, sabemos que havia avôs na Bíblia. Abraão foi avô de Jacó. Então, não fique obcecado com termo “Trindade”. O que realmente importa é que o conceito REPRESENTADO pela palavra “Trindade” existe nas Escrituras. Terminada esta introdução, mostraremos versículos bíblicos na discussão sobre a Trindade.

1) Há um só Deus: Deuteronômio 6:4; I Coríntios 8:4; Gálatas 3:20; I Timóteo 2:5.

2) A Trindade consiste de três Pessoas: Gênesis 1:1; 1:26; 3:22; 11:7; Isaías 6:8; 48:16; 61:1; Mateus 3:16-17; 28:19; II Coríntios 13:14. Nas passagens do Velho Testamento, algum conhecimento de hebraico é de grande ajuda. Em Gênesis 1:1, é usado o substantivo plural “Elohim”. Em Gênesis 1:26; 3:22; 11:7 e Isaías 6:8, o pronome plural equivalente a “nós” é usado. “Elohim” e “nós” se referem a mais de duas pessoas, NÃO há dúvidas. Em português, temos apenas duas variações quanto ao número, singular e plural. Em hebraico, temos três formas: singular, dual e plural. Dual é para dois, APENAS. Em hebraico, a forma dual é usada para coisas que vêm em pares, como olhos, orelhas e mãos. A palavra “Elohim” e o pronome “nós” são formas de plural – definitivamente mais de dois, e devem estar se referindo a três ou mais (Pai, Filho, Espírito Santo).

Em Isaías 48:16 e 61:1, o Filho está falando enquanto faz referência ao Pai e ao Espírito Santo. Compare Isaías 61:1 com Lucas 4:14-19 para ver que é o Filho falando. Mateus 3:16-17 descreve o acontecimento do batismo de Jesus. Nele se vê o Deus Espírito Santo descendo sobre o Deus Filho enquanto o Deus Pai proclama Seu prazer no Filho. Mateus 28:19 e II Coríntios 13:14 são exemplos de 3 pessoas distintas na Trindade.

3) Os membros da Trindade são distintos uns dos outros em várias passagens: No Velho Testamento, “SENHOR” é diferenciado de “Senhor” (Gênesis 19:24; Oséias 1:4). O “SENHOR” tem um “Filho” (Salmos 2:7, 12; Provérbios 30:2-4). Espírito é distinto de “SENHOR” (Números 27:18) e de “Deus” (Salmos 51:10-12). Deus o Filho é diferenciado de Deus o Pai (Salmos 45:6-7; Hebreus 1:8-9). No Novo Testamento, João 14:16-17 é onde Jesus fala ao Pai sobre enviar um Ajudador, o Espírito Santo. Isto demonstra que Jesus não considerava a Si mesmo como sendo o Pai ou o Espírito Santo. Considere também todas as outras vezes, nos Evangelhos, onde Jesus fala ao Pai. Estava Ele falando consigo mesmo? Não. Ele falava com uma outra pessoa na Trindade, o Pai.

4) Cada membro da Trindade é Deus: O Pai é Deus: João 6:27; Romanos 1:7; I Pedro 1:2. O Filho é Deus: João 1:1, 14; Romanos 9:5, Colossenses 2:9; Hebreus 1:8; I João 5:20. O Espírito Santo é Deus: Atos 5:3-4; I Coríntios 3:16 (Aquele que habita é o Espírito Santo: Romanos 8:9; João 14:16-17; Atos 2:1-4).

5) A subordinação dentro da Trindade: As Escrituras mostram que o Espírito Santo é subordinado ao Pai e ao Filho, e o Filho é subordinado ao Pai. Esta é uma relação interna, e não nega a divindade de nenhuma das pessoas da Trindade. Esta é simplesmente uma área que nossas mentes finitas não conseguem compreender, em vista do Deus infinito. Em relação ao Filho, veja: Lucas 22:42; João 5:36; João 20:21; I João 4:14. Em relação ao Espírito Santo veja: João 14:16; 14:26; 15:26;16:7 e principalmente João 16:13-14.

6) As tarefas dos membros individuais da Trindade: O Pai é a fonte máxima ou causa de: 1) o universo (I Coríntios 8:6; Apocalipse 4:11); 2) revelação divina (Apocalipse 1:1); 3) salvação (João 3:16-17); e 4) as obras humanas de Jesus (João 5:17;14:10). O Pai PRINCIPIA todas estas coisas.

O Filho é o agente através do qual o Pai faz as seguintes obras: 1) A criação e manutenção do universo (I Coríntios 8:6; João 1:3; Colossenses 1:16-17); 2) divina revelação (João 1:1; Mateus 11:27; João 16:12-15; Apocalipse 1:1); e 3) salvação (II Coríntios 5:19; Mateus 1:21; João 4:42). O Pai faz todas estas coisas através do Filho, que funciona como Seu agente.

O Espírito Santo é o meio pelo qual o Pai faz as seguintes obras: 1) criação e manutenção do universo (Gênesis 1:2; Jó 26:13; Salmos 104:30); 2) divina revelação (João 16:12-15; Efésios 3:5; II Pedro 1:21); 3) salvação (João 3:6; Tito 3:5; I Pedro 1:2); e 4) feitos de Jesus (Isaías 61:1; Atos 10:38). Então faz assim o Pai todas estas coisas pelo poder do Espírito Santo.

Nenhuma das ilustrações populares são descrições completamente apuradas da Trindade. O ovo (ou maçã) falha porque a casca, a clara e a gema são partes do ovo, e não são o ovo, cada qual separadamente. O Pai, Filho e Espírito Santo não são partes de Deus, cada um Deles é Deus. A ilustração da água é de alguma forma melhor, mas ainda falha em adequadamente descrever a Trindade. Líquido, vapor e gelo são estados da água. O Pai, Filho e Espírito Santo não são formas ou estados de Deus, mas cada qual separadamente é Deus. Então, enquanto estas ilustrações podem nos dar uma idéia da Trindade, esta não se faz totalmente precisa. Um Deus infinito não poderá ser totalmente descrito por uma ilustração finita. Em vez de focalizar na Trindade, tente focalizar na grandeza de Deus e Sua natureza infinitamente maior que a nossa. “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro?” (Romanos 11:33-34).


A Existência de Deus

A Existência de Deus

1.1 INTRODUÇÃO
É praticamente impossível à mente humana, limitada que é, alcançar a compreensão do que é Deus, em toda sua extensão e perfeição, e assim formular uma definição do que Ele seja. Deus é infinito em todos os sentidos e, desta forma, toda tentativa de explicá-Lo de maneira compreensível ao homem é ainda muito inferior (mas não inútil) àquilo que Ele realmente é.
Entretanto, foi e é, da vontade de Deus, que o homem, obra máxima de sua criação e refletora de Sua Pessoa, O conheça, ainda que por agora de forma limitada. Portanto, Deus providenciou formas para que o homem pudesse conhecê-Lo e ter relacionamento com Sua Pessoa.
Qualquer esforço do homem para definir Deus sempre será incompleto e muito distante de revelar quem Ele é, por isso a própria Escritura diz em Isaías 55:8-9:
“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos”.
Então, por não podermos compreender apenas pela razão o que é esse Ser Extraordinário, chamado de Deus e Senhor, devemos pensar como Agostinho:
“Creio, para que possa compreender”.
Assim, o conhecimento de Deus se inicia pela fé, como ensinou Paulo aos Romanos (10:17):
“De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus”.
E essa fé é a ligação do homem com a espiritualidade de Deus, ou seja, a única forma de se entrar em contato com o mundo de Deus, melhor, a dimensão onde Deus está, é mediante a fé, por isso está escrito em Hebreus 11:1:
“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem”.
Desta maneira, a compreensão de Deus é feita de modo espiritual, e não apenas por meio dos sentidos naturais do homem (aquilo que se vê, se ouve, se toca, se saboreia e cheira).
De modo que a compreensão de Deus se inicia e se sustenta pela fé, mas é aperfeiçoada pelo conhecimento, podendo evoluir para experiências naturais com Deus, tais como ouvir a própria voz de Deus, como Isaías e os demais profetas, ver o Mar Vermelho se abrir, como o povo hebreu no deserto, receber os Dons do Espírito Santo, como os discípulos no Pentecostes, e muitas outras experiências que ainda hoje são possíveis. E é isso que a Escritura declara em Hebreus 11:6:
“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam”.
Portanto, para que se compreenda Deus é necessário que se creia que Ele existe, o que só então possibilitará ao homem conhecê-Lo, aproximar-se e ter experiências naturais com Ele.
Nesse ponto, citando o pastor e teólogo John Owen, podemos tentar conceituar Deus como:
“Um ser eterno, não causado, independente, necessário, que tem poder ativo, vida, sabedoria, bondade e qualquer outra excelência na mais elevada perfeição em si e de si mesma”.
E ainda, na definição do teólogo Augustus Hopkins Strong:
“Deus é o Espírito infinito e perfeito, em quem todas as coisas têm sua fonte, sustento e fim”.

1.2 A CONSCIÊNCIA NATURAL DA EXISTÊNCIA DE DEUS
Primeiramente, é importante termos em mente que a existência do homem está totalmente vinculada à existência de Deus. De maneira que a existência do homem prova a existência de Deus (essa afirmação é melhor explicada no item 1.3).
Assim, partimos do princípio que o homem já nasce com a consciência da existência de um ser superior, ou seja, de um “deus”, por isso se diz: “consciência natural”.
Em todos os lugares do mundo, o ser humano é apegado à ideia da existência de um ser supremo (deus), que cuida da existência do homem, do tempo e de toda a natureza. Isso se comprova na análise de todas as civilizações que já existiram na Terra, tanto aquelas estudadas na História: babilônicos, assírios, egípcios, gregos, como também os povos que foram recentemente descobertos: incas, astecas, maias e outras culturas indígenas, as quais cultuavam um ou vários deuses.
É bom lembrarmos que entre os gregos, os quais o apóstolo Paulo visitou em sua viagem missionária (At. 17:23) haviam inúmeros deuses e entidades sobrenaturais, contudo, havia um altar, ao DEUS DESCONHECIDO, não porque os gregos pensavam ter esquecido de algum
deus, mas devido a saberem (intuitivamente) acerca da existência de um ser superior a tudo que eles conheciam até então, o nosso Deus e Senhor Jesus Cristo.
Fato é que, em todos os lugares, e em todas as épocas, o homem cultuou a um “deus”, possuidor de características superiores às dele próprio, seja esse ser um “deus” humanizado, difuso ou etéreo, personificado na natureza, manifestado em eventos e circunstâncias acima do seu poder de explicação. O homem carrega dentro de si algo que o impele à um conhecimento extremamente elevado, chamado fé.
E por que o homem possui essa consciência natural da existência de Deus?
Em Gênesis. 2:7, está escrito:
“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”.
Com base nesse texto, percebemos que no ato da criação do homem, Deus depositou dentro do homem parte de Sua própria natureza, isto é, a vida (Deus, que é vida – Jo.14:6 e I Jo. 1:2 – colocou dentro de sua nova criatura, o homem, a vida), inserindo no homem o conhecimento da Sua existência.
Logo, é natural a consciência da existência de Deus ao homem, pelo fato de sua própria formação ter decorrido da operação de Deus. É o mesmo que ocorre na vida de uma criança separada de seu pai: ainda que essa criança jamais o tenha visto, ou possuído qualquer contato com seu pai biológico, ela possuirá características que a identificará com ele, porque carrega em si semelhanças com esse pai: cor dos olhos, temperamento, forma física, e muitas outras afinidades, que a fará semelhante a esse pai – e ainda, ninguém falará que pelo pai dessa criança não estar perto e ser conhecido objetivamente por todos, não exista.
A Bíblia concorda com esse exemplo, ao apresentar o homem como criado “a imagem e semelhança de Deus”, no livro de Gênesis 1:26:
“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança(…)”.
O escritor Robert Browning expressa a certeza da existência natural de Deus de forma clara:
“Eu sei que Ele está ali, como eu estou aqui, com a mesma prova, que parece não provar nada, e isto vai além das formas familiares de prova.”
Desse modo, é natural a consciência no homem da existência de Deus, pois o homem carrega dentro de si mesmo, ainda que em uma proporção muito menor, características e atributos que o próprio Deus possui (bondade, amor, sabedoria, justiça, veracidade).
1.3 A LIMITAÇÃO HUMANA
A existência de Deus é conhecida pelo homem quando, apesar das suas limitações, fraquezas e mortalidade, consegue conceber a ideia de um ser ilimitado, perfeito e eterno. Partindo desta ideia apresentaremos três argumentos acerca da existência de Deus: 
1 – O Argumento Ontológico, de Anselmo de Cantebury, 
2 – Os Cinco Argumentos em Prol da Existência de Deus, de Tomás de Aquino, e 
3 – Deus Como Expressão Máxima das Virtudes Humanas.

1.3.1 O ARGUMENTO ONTOLÓGICO
Um dos argumentos mais sólidos, no campo filosófico, para sustentar a existência de Deus, é o Argumento Ontológico (Ontologia: ramo da filosofia que estuda a existência e a constituição do ser), defendido por Anselmo de Cantebury, no século XI.
Na tentativa de ajudar o homem a se aproximar de Deus, Anselmo criou um argumento em favor da existência de Deus através da razão, onde nenhum engano fosse capaz de distorcer essa existência. O argumento de Anselmo é este:
“Por definição, Deus é o mais perfeito dos seres, de tal modo que é impossível conceber outro ser mais perfeito; porém, se supuséssemos que Deus existe apenas como uma proposta intelectual, e não na realidade, então seria claro, por Deus existir verdadeiramente somente no intelecto (mente humana), que seria possível imaginarmos um ser mais perfeito do que o nosso ser perfeito (Deus), a saber, um que existisse na realidade e não apenas no intelecto. Portanto, Deus, o ser perfeito – deve realmente existir”.
Deste modo, o homem pode concluir pela existência de um Ser Supremo (Deus), pois seu intelecto e sua experiência natural lhe mostram que ele – homem – é limitado, o que o leva a ter certeza que acima dele deve haver um Ser Perfeito, ilimitado e completo, que quando o homem deixa de existir, continua existindo e sustentando todo o sistema do universo, como o Apóstolo Paulo afirma em Atos 17:28:
“Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos (…)”
E ainda é assegurado em Hebreus 1:3, que o próprio Deus sustenta todas as coisas pela Palavra do Seu poder:
“O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder (…)”

1.3.2 OS CINCO ARGUMENTOS EM PROL DA EXISTÊNCIA DE DEUS
Tomás de Aquino foi um dos maiores filósofos cristãos, que defendeu a existência de Deus no século XIII, utilizando-se da metafísica (que é o ramo da filosofia que estuda a essência dos seres e a transcendência, ou seja, aquilo que ultrapassa os aspectos físicos e busca a causa deles), apoiando sua doutrina através de cinco argumentos de razão pura.
Os cinco argumentos são:
1 – O Movimento: Todas as coisas no universo estão em movimento, ou seja, em contínuo desenvolvimento. Contudo para que saiam do estado de inércia (ausência de movimento), para o estado de ação, deve haver uma força capaz de proporcionar a ação. Por exemplo: Uma bola de futebol se movendo. O pé do jogador a colocou em movimento. O jogador foi gerado de sua mãe. E sua mãe nasceu de sua avó, e esta de sua bisavó, e assim regressivamente.
Se fôssemos voltando até encontrar o primeiro movimento, que retirou a bola da inércia e a colocou em movimento (ação), nunca o encontraríamos, pois sempre existiria um movimento anterior, até o ponto em que fosse impossível chegar ao primeiro movimento (ou alteração), por essa razão, precisamos apontar um primeiro movimentador (alterador), que não é movido por ninguém, mas que movimenta todas as coisas, e todos compreendem que este é Deus.
2 – As Causas Eficientes: Nesse mundo palpável, todas as coisas existentes possuem uma causa anterior de existir, que deve ser maior do que a própria causa. Por exemplo: Um carro viajando por uma estrada. É impossível imaginar um carro existindo sem que haja uma fábrica que o produziu (a fábrica é a causa eficiente, que produziu o carro) e da mesma maneira é impossível imaginar uma estrada que não tivesse sido construída por alguma empresa construtora (a empresa construtora é causa eficiente, que construiu o carro).
Não há nenhum caso conhecido no mundo em que uma coisa qualquer é a causa eficiente de si mesma, pois nesse caso, seria anterior a si mesma, o que é simplesmente impossível. Como no nosso exemplo é impossível imaginar que o carro e a estrada existam por si mesmos, isto é, sem uma causa eficiente.
Assim, se retrocedermos, causa por causa, até o infinito, teremos que admitir uma primeira causa eficiente (que produz de si mesma), à qual todos damos o nome de Deus.
3 – A Possibilidade e a Necessidade: Na observação da natureza, podemos encontrar coisas que são possíveis de ser e não ser, de modo que, dependendo da circunstância algo é possível, e em outras situações não é possível. Por exemplo: É possível a um homem, em condições climáticas normais, colocar fogo em um arbusto, mas caso esteja chovendo muito, isso não é mais possível. Entretanto, se parar de chover, torna-se possível ao homem atear fogo no determinado arbusto. Então, podemos dizer em nosso exemplo, que enquanto estiver chovendo, não existe fogo no arbusto (não ser), ao passo que, terminada a chuva e colocado o fogo pelo homem, o arbusto se incendeia (ser).
Dessa maneira, todas as coisas dependem da possibilidade de ser, pois caso não haja a possibilidade para determinada coisa de ser, ela não será, isto é, não existirá.
Podemos falar agora da necessidade. Para que alguma coisa seja possível de ser, deve haver algo capaz de fazer possível que determinada coisa seja. Esse algo capaz de fazer alguma coisa ser, então, é algo necessário, sem o qual não seria possível para a coisa ser.
No exemplo acima, a não existência de chuva forte, faz o fogo no arbusto ser. Se fôssemos retroceder a todas as coisas necessárias para que o arbusto pegasse fogo, voltaríamos até o infinito, pois o ato de colocar fogo no arbusto faz parte de uma cadeia sequencial de atos (necessidade) até que seja possível colocar fogo no arbusto (arbusto seco – arbusto – nascimento do arbusto – semente do arbusto – terra para plantar o arbusto, e assim até o infinito).
Assim, não podemos deixar de admitir a existência de algo que tem em si mesmo sua própria possibilidade e necessidade, não as tendo recebido de nenhum outro, mas antes, esse algo é a causa necessária e da possibilidade de tudo mais ser. A esse algo, todos os homens chamam de Deus.
4 – A Gradação: Em todos os seres, podemos encontrar um determinado sistema de gradação entre eles, isto é, alguns que são mais e outros que são menos bons, amáveis, sinceros, nobres. Porém essas gradações (de mais ou menos) são atribuídas a diversas coisas na medida em que elas se parecem com algo que é o máximo. Por exemplo: Dizemos que alguém é mais nobre, mais amoroso, mais misericordioso, em relação àquele que é nobre, amoroso e misericordioso.
O máximo, dentro de qualquer gênero, é a causa de tudo quanto existe nesse gênero. Assim, deve haver algo que, para todos os seres, é a causa do ser de todos eles, de sua bondade e de todos os seus outros atributos, e a esse algo graduado no nível máximo, chamamos de Deus.
5 – O Governo e a Finalidade: A quinta maneira de se provar a existência de Deus se baseia no governo e na finalidade (teleologia) inteligente do mundo, isto é, as coisas existentes, não estão no mundo aleatoriamente dispersas, mas possuem uma utilidade, e ainda além dessa utilidade, possuem uma finalidade. Por exemplo: A erva cresce, se torna alimento da ovelha, e esta se transforma em alimento e vestimenta para o ser humano.
Entretanto esse argumento vai muito além de mostrar uma cadeia simples de governo e finalidade (erva – ovelha – homem): Ele revela a inter-relação perfeita de todas as coisas no mundo. Assim, todas as coisas naturais foram ordenadas a se comportar de uma determinada forma (governo), para atingirem um objetivo também previamente estabelecido (finalidade).
Ora, é impossível para coisas irracionais se dirigirem a uma finalidade, a menos que sejam orientadas por algum ser dotado de conhecimento e inteligência, tal como a flecha não pode atingir um alvo se não for orientada pelo lanço de um arqueiro. Portanto, existe algum ser por meio do qual todas as coisas naturais são dirigidas (governadas) às suas respectivas finalidades (pré-determinadas por Ele). E a esse ser chamamos de Deus.

1.3.3 DEUS COMO EXPRESSÃO MÁXIMA DAS VIRTUDES DO HOMEM
O homem é o ápice de toda criação que há no mundo. Não há nenhuma coisa ou ser que se compare a ele em domínio, finalidade, vontade ou potencial.
Existem coisas que são maiores ou mais poderosas que ele, mas o homem tem a capacidade de dominar a todas: desde o corte de árvores gigantescas, até o redirecionamento de rios inteiros ao seu querer. Muitos seres são mais ágeis e resistentes que o homem, contudo, tanto os grandes felinos, como o tigre e o leão, quanto as imensas baleias são facilmente dominadas pela capacidade do homem. Todas essas condições foram presenteadas ao homem, por Deus, conforme Gênesis 1:28:
“E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo animal que se move sobre a terra.”
Entretanto, o ser humano possui virtudes que vão muito além daquelas que são aplicadas às aptidões físicas ou intelectuais: Ele possui virtudes de caráter, que são inconciliáveis com qualquer instinto e lógica natural, ou seja, o indivíduo humano externa determinadas atitudes que contrariam o instinto de autopreservação ou de prazer próprio.
Por exemplo, o homem é capaz de atos de extrema bravura e nobreza, ao entrar em locais em chamas para salvar a vida de seus semelhantes, e isso sem receber nenhuma retribuição, ou ainda, é capaz de renunciar honras a sua própria pessoa para reconhecer que outros fizeram um melhor trabalho que ele, e por isso são mais dignos de receberem as honras que lhe são prestadas.
Muitos outros exemplos poderiam ser apontados, mas esses já bastam para concluirmos que o homem possui, como nenhuma outra coisa ou ser, virtudes morais, que o determinam a definidas atitudes que não são nem instintivas, tampouco apenas intelectuais.
Pensando sobre a possibilidade de se provar a existência de Deus, um grande filósofo moderno (séc. XVIII), chamado Immanuel Kant, através de várias obras no campo da filosofia – ora assumindo a existência de Deus (História Geral da Natureza), ora a criticando (Crítica da Razão Pura) – construiu um sistema que o levou a concluir, em sua obra O Único Argumento Possível para a Existência de Deus, que é possível se provar a existência de Deus através da finalidade moral que o homem possui. Kant entende que o homem é um ser dotado de uma razão que é prática, isto é, que é capaz de agir intencionalmente. Isso significa que o homem possui a capacidade de dar uma finalidade às suas atitudes, independentemente de seu instinto (algo semelhante ao livre-arbítrio, ainda que apenas em parte).
Logo, se pela finalidade natural (ver Item 1.3.2 Os Cinco Argumentos em Prol da Existência de Deus, de Tomás de Aquino) já era provável a conclusão de uma causa inteligente do mundo (Deus), muito mais acertado é deduzir a existência de Deus, tomando-se por base a finalidade
moral do ser humano, ou seja, se o homem é moral, Deus é a causa máxima da moralidade do homem, e além disso, é um legislador moral do mundo.
E isso se dá em virtude do homem possuir, em si, da mesma substância de Deus (evidentemente apenas em parte, e outorgada a ele, mas não como dele próprio), pois Dele foi derivado, de acordo com Gênesis 1:26-27 e 2:7:
“E disse Deus: Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança (…). E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (…). E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.”
Assim, todas as virtudes do homem (bondade, amor, nobreza, simplicidade, generosidade, etc) devem possuir uma fonte que é a geradora de todas elas, ou seja, que é o grau de virtude máxima, de forma que ao valor moral mais sublime dá-se o nome de Deus.

1.4 CONCEITUAÇÕES ECLESIÁSTICAS DE DEUS NA FÉ PRÁTICA REFORMADA
1.4.1 A CONCEITUAÇÃO LUTERANA DE DEUS – Confissão de Fé Alemã (Augsburgo) de 1530, por Philipp Melanchthon.
Em primeiro lugar, ensina-se e mantém-se, unanimemente, de acordo com o decreto do Concílio de Nicéia, que há uma só essência divina, que é chamada Deus e verdadeiramente é Deus. E todavia há três pessoas nesta única essência divina, igualmente poderosas, igualmente eternas, Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, todas três uma única essência divina, eterna, indivisa, infinita, de incomensurável poder, sabedoria e bondade, um só criador e conservador de todas as coisas visíveis e invisíveis. E com a palavra persona se entende não uma parte, não uma propriedade em outro, mas aquilo que subsiste por si mesmo, conforme os Pais usaram esse termo nessa questão.
Rejeitam-se, por isso, todas as heresias que são contrárias a esse artigo, como os maniqueus, que afirmaram a existência de dois deuses, um bom e um mau; também os valentinianos, arianos, eunomianos, maometanos e todas as similares, também os samosatenos, os antigos e os novos, que afirmam uma só pessoa e sofismam acerca do Verbo e do Espírito Santo, dizendo não serem pessoas distintas, porém que Verbo significa palavra ou voz física, e que o Espírito Santo é movimento criado em suas criaturas.

1.4.2 A CONCEITUAÇÃO PURITANA DE DEUS – Confissão de Fé Escocesa de 1560, por John Knox e outros.
Confessamos e reconhecemos um só Deus, a quem, só, devemos apegar-nos, a quem, só, devemos servir, a quem, só, devemos adorar e em quem, só, devemos depositar nossa confiança (Dt. 6:4. I Co. 8:6. Dt. 4:35. Is. 44:5-6.). Ele é eterno, infinito, imensurável, incompreensível, onipotente, invisível (I Tm. 1:17. I Rs. 8:27. II Cr. 6:18. Sl. 139:7-8. Gn. 17:1. I Tm. 6:15-16. Êx. 3:14-15); um em substância e, contudo, distinto em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt. 28:19. I Jo. 5:7). Cremos e confessamos que por ele todas as coisas que há no céu e na terra, visíveis e invisíveis, foram criadas, são mantidas em seu ser, e são governadas e guiadas pela sua inescrutável providência para o fim que determinaram sua eterna sabedoria, bondade e justiça, e para a manifestação de sua própria glória (Gn. 1:1. Hb. 11:3. At. 17:28. Pv. 16:4).

1.4.4 A CONCEITUAÇÃO PRESBITERIANA DE DEUS – Confissão de Fé de Westminster de 1647.
Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeições. Ele é um espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões; é imutável, imenso, eterno, incompreensível, -onipotente, onisciente, santíssimo, completamente livre e absoluto, fazendo tudo para a sua própria glória e segundo o conselho da sua própria vontade, que é reta e imutável. É cheio de amor, é gracioso, misericordioso, longânimo, muito bondoso e verdadeiro remunerador dos que o buscam e, contudo, justíssimo e terrível em seus juízos, pois odeia todo o pecado; de modo algum terá por inocente o culpado.
Deus tem em si mesmo, e de si mesmo, toda a vida, glória, bondade e bem-aventurança. Ele é todo suficiente em si e para si, pois não precisa das criaturas que trouxe à existência, não deriva delas glória alguma, mas somente manifesta a sua glória nelas, por elas, para elas e sobre elas. Ele é a única origem de todo o ser; dele, por ele e para ele são todas as coisas e
sobre elas tem ele soberano domínio para fazer com elas, para elas e sobre elas tudo quanto quiser. Todas as coisas estão patentes e manifestas diante dele; o seu saber é infinito, infalível e independente da criatura, de sorte que para ele nada é contingente ou incerto. Ele é santíssimo em todos os seus conselhos, em todas as suas obras e em todos os seus preceitos.
Da parte dos anjos e dos homens e de qualquer outra criatura lhe são devidos todo o culto, todo o serviço e obediência, que ele há por bem requerer deles.

1.4.5 A CONCEITUAÇÃO BATISTA DE DEUS – Confissão de Fé Batista de 1689.
O Senhor nosso Deus é somente um, o Deus vivo e verdadeiro (I Co.8: 4,6. Dt.6:4), cuja subsistência está em si mesmo e provém de si mesmo (Jr.10:10. Is.48:12); infinito em seu ser e perfeição, cuja essência por ninguém pode ser compreendida, senão por Ele mesmo (Êx.3:14).
Ele é um espírito puríssimo (Jo.4:24), invisível, sem corpo, membros ou paixões; o único que possui imortalidade, habitando em luz inacessível, a qual nenhum homem é capaz de ver I Tm.1:17. Dt.4:15-16); imutável (Ml. 3:6), imenso (I Rs.8:27. Jr.23:23), eterno (Sl.90:2), incompreensível, todo-poderoso (Gn.17:1); em tudo infinito, santíssimo (Is.6:3), sapientíssimo; completamente livre e absoluto, operando todas as coisas segundo o conselho da sua própria vontade (Sl.115:3. Is.46:10), que é justíssima e imutável, e para a sua própria glória (Pv.16:4. Rm.11:36); amantíssimo, gracioso, misericordioso, longânimo; abundante em verdade e benignidade, perdoando a iniquidade, a transgressão e o pecado; o recompensador daqueles que o buscam diligentemente (Ex.34:6-7. Hb.11:6); contudo justíssimo e terrível em seus julgamentos (Ne.9:32-33), odiando todo pecado (Sl.5:5-6), e que de modo nenhum inocentará o culpado (Êx.34:7. Na.1:2-3).
Deus tem em si mesmo e de si mesmo toda a vida (Jo.5:26), glória (Sl.148:13), bondade (Sl.119:68) e bem-aventurança. Somente ele é autossuficiente, em si e para si mesmo; e não precisa de nenhuma das criaturas que fez, nem delas deriva glória alguma (Jó 22:2-3); mas somente manifesta, nelas, por elas, para elas e sobre elas a sua própria glória. Ele, somente, é a fonte de toda existência: de quem, através de quem e para quem são todas as coisas (Rm.11:34-36), tendo o mais soberano domínio sobre todas as criaturas, para fazer por meio delas, para elas e sobre elas tudo quanto lhe agrade (Dn.4:25,34-35). Todas as coisas estão abertas e manifestas perante Ele (Hb.4:13); o seu conhecimento é infinito, infalível e
independe da criatura, de maneira que para Ele nada é contingente ou incerto (Ez.11:5. At.15:18). Ele é santíssimo em todos os seus ensinamentos, em todas as suas obras (Sl.145:17), e em todos os seus mandamentos. A Ele são devidos, da parte de anjos e de homens, toda adoração (Ap.5:12-14), todo serviço, e toda obediência que, como criaturas, eles devem a criador; e tudo mais que Ele se agrade em requerer de suas criaturas.

1.5 CONCLUSÃO
Diante de tantos argumentos e proposições filosófico-científicas, até se poderia convencer as mentes sobre a existência e realidade de Deus. Ainda assim, existiram os homens com a consciência cauterizada que o apóstolo Paulo falou, e que em Romanos 1 descreve com clareza.
Não seria necessária a ciência para explicar a existência de Deus. Ele, o Senhor Todo-Poderoso, simplesmente é, o Deus “Eu sou”, que na sarça se revelou a Moisés, e ainda deseja se revelar a todo homem, por meio de Seu Único Filho, Jesus Cristo. Esse Deus utiliza, com toda a certeza, da razão para se mostrar ao homem, pois foi Ele quem lhe conferiu esse presente, contudo, sem a fé, requisito indispensável para se chegar a Ele, a razão só distancia o homem de Deus, e o aproxima mais de si mesmo e da sua vaidade, típica da sua natureza pecaminosa.
O teólogo Augustus Hopkins Strong aponta que sem a prática, a ciência teológica não tem utilidade proveitosa:
“A teologia é uma ciência cujo cultivo pode ser bem-sucedido somente em conexão com sua aplicação prática.”
Um grande cientista cristão, chamado Louis Pasteur, disse uma vez:
“Pouca ciência afasta-nos de Deus; muita ciência nos aproxima Dele.”
Por fim, terminamos com as palavras do homem que mais se esforçou para ensinar os incrédulos no caminho da existência e verdade eterna de Deus, na pessoa de Jesus Cristo, por meio de sua 1ª Carta aos Coríntios, em 1:18,21-24, o apóstolo Paulo ensina:
“Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus (…).Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação. Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria. Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.”





CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA A COMPREENSÃO DAS ESCRITURAS

CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA A COMPREENSÃO DAS ESCRITURAS
   Antes de mais nada, quero explicar alguns pontos básicos que são fundamentais para a compreensão das Escrituras, e que espero possam aclarar um pouco a confusão que existe a hora de ler e interpretar.
   A Bíblia não é um livro, mas um conjunto de livros, e se bem a mesma foi escrita por muitos autores humanos, o único autor verdadeiro por trás da trama é Deus. Isso fica comprovado porque, justamente apesar de tantos autores diferentes em tantos aspectos através de tantos séculos, a Bíblia não contém contradições e toda ela é uma maravilhosa peça de encaixes, obra de Mestre.
   Digo isto muito a despeito dos descrentes que possam reclamar de suas supostas contradições e erros. Para eles, minha resposta: em primeiro lugar, leiam a Bíblia de capa a capa pelo menos duas vezes com um entendimento literal e histórico, e depois disso mais uma vez com a ajuda do Espírito Santo. Se depois dessas três leituras não começam vislumbrar a perfeição na arquitetura da Bíblia, lamento informá-los que muito provavelmente nunca chegarão a entendê-la... e conseguintemente, nunca serão salvos.
   Pela sua própria estrutura, a Bíblia não é um livro de fácil leitura, ou pelo menos isso afirmam as pessoas como desculpa para não lê-la. Em grande medida estão certas. A maioria dos que decidem ler a Bíblia começam com grande vontade no Gênesis, mas quando chegam a Números e Levítico abandonam, desalentados pelas longas listas de nomes e de ordenanças. Poucos são os corajosos que avançam até o fim, ao Apocalipse. E muitos menos ainda são os que obtêm verdadeiros conhecimentos.
   Como nossa sociedade NÃO FOMENTA O AMOR PELA LEITURA E MUITO MENOS A COMPREENSÃO DOS TEXTOS, o 99% dos cristãos desistem de ler a Bíblia por si mesmos, delegando o análise e estudo das Escrituras aos líderes das congregações, e esperando que eles lhes entreguem suas próprias conclusões pré-mastigadas e pré-digeridas na boca, como a bebês. Essas pessoas serão as que, no dia do seu juízo, se desculparão tentando colocar a culpa sobre seus líderes, acusando-os de serem eles os que lhes ensinaram as coisas erradas. Todavia, e mesmo que estes carreguem com essa culpa, estes cristãos-bebês serão tidos como culpados por si mesmos, porque Deus dá entendimento a quem assim o pede [1]. Ninguém será desculpado por não ter procurado pela Verdade por si mesmo.

DIFERENÇAS ENTRE ALMA, CORPO E ESPÍRITO
   Sendo que o homem foi feito a imagem e semelhança de Deus, ele também consta de três partes separadas e ao mesmo tempo unificadas: corpo, alma e espírito, segundo as próprias Escrituras o testificam: ...e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo (1 Ts 5.3).
   Muitos alegam que alma e espírito são a mesma coisa, pois na própria Bíblia muitas vezes estas palavras são utilizadas para um mesmo aparente fim. Todavia, uma leitura cuidadosa dos versículos que se referem à palavra "alma" (demasiados para ser aqui citados, remito aos interessados a uma busca bíblica, hoje muito facilitada pelos programas de computador) demonstrará que ela é sempre utilizada como sinônimo de "vida do corpo" ou até mesmo de "coração" (no sentido tanto dos sentimentos como do órgão que centraliza a função corporal da vida humana). A palavra alma vem do grego psique, de onde surgem palavras como psicanálise e outras referidas àquela parte humana invisível e interna.
   E uma leitura cuidadosa dos versículos onde se utiliza a palavra "espírito" (com minúscula) demonstrará que a mesma é sempre utilizada se referindo a distintos tipos de espírito (como exemplos, o espírito de ciúmes, o espírito de sabedoria, o espírito de aflição, entre muitos outros), mas nunca no sentido da própria vida orgânica. A palavra espírito vem do grego pneuma, que significa "sopro, fôlego".
   A alma, portanto, se refere a vida mesma (como fonte de energia), a mente humana propriamente dita (pensamentos) e as qualidades inerentemente humanas (sentimentos), enquanto que o espírito refere-se àquilo que torna o homem diferente dos animais: a mente espiritual e os sentimentos ligados ao Espírito, a Vida com maiúscula. Para clarificar mais ainda, diremos que a TODO ser vivo tem alma, enquanto que somente os homens podem ter espírito: "Na sua mão está a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda a carne humana" (Jó 12.10), e também "Assim diz Deus, o SENHOR... que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela" (Is 42.5).

   Depois da criação, Deus deu uma única ordem a Adão e Eva: "Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gn 2.17). A serpente, no entanto, discutiu essa ordem: "Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis" (Gn 3.4). E depois de terem comido do fruto proibido, nem Eva nem Adão caíram mortos, como teria sido de esperar.
   É bem sabido que isto é assim porque essa morte se refere à morte do espírito, e não a morte da alma e do corpo, a morte física. Ora, se depois de pecar o espírito que há no homem morre, mas seu corpo continua vivendo, isto significa que a vida da alma é a vida orgânica, enquanto o espírito corresponde àquela parte que faz do homem um ser superior, que o liga com Deus, a parte que hoje toda a humanidade não nascida de novo tem morta.
   Resumindo:

Corpo
Parte física e visível do ser humano, a "casca" exterior, a qual vive enquanto a alma permanece nela, dando funcionamento aos órgãos internos e gerando as necessidades básicas da vida humana (respiração, alimentação, evacuação, reprodução, etc.)
Alma (psique)
Parte incorpórea e invisível do ser humano, a força vital interior, a mente racional (não abstrata) e os sentimentos humanos.
Quando a alma morre, o corpo morre com ela.
Espírito (pneuma)
Parte incorpórea e invisível do ser humano, a mente abstrata, os sentimentos ligados à divindade.
Quando o espírito morre, a alma e o corpo podem continuar vivendo, mas separados de Deus.

   O humanismo se baseia na satisfação das necessidades corporais e no enaltecimento das qualidades da alma, enquanto ignora completamente todo tipo de atividade espiritual. Isto tem gerado o comportamento de nossa sociedade atual (através da evolução da humanidade durante séculos, é claro), a qual é basicamente niilista [2]: "Paulo pinta um pavoroso retrato da sociedade dos tempos do fim em 2 Timóteo 3:1-5. Ele diz que ela será caracterizada por três amores: o amor a si mesmo (Humanismo), o amor ao dinheiro (Materialismo) e o amor aos prazeres (Hedonismo). Ele então aponta que o pagamento por esse estilo de vida carnal será o que os filósofos chamam niilismo, isto é, a sociedade se atolando em desespero. A mente dos homens se tornará depravada (Romanos 1:28), e as pessoas chamarão ao mal de bem e ao bem de mal (Isaías 5:20)" [3].
   Não estranha, portanto, que a maioria das pessoas diga que a Bíblia é um livro cheio de erros ou difícil de entender, pois a mesma se compreende por meio da mente espiritual e não da mente carnal ou mente da alma. Todavia, que podemos fazer os seres humanos se já nascemos com a nossa parte espiritual virtualmente morta por causa do pecado herdado? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! [4]

FORMAS DE INTERPRETAÇÃO BÍBLICA
   Agora, vejamos algumas coisas acerca da interpretação das Escrituras.
Assim como acabamos de ver a divisão do homem em três partes, também existem três formas diferentes de interpretação, baseadas nessa mesma divisão e com diferentes níveis de compreensão:
1)      Interpretação histórica e cronológica, de leitura lineal e aplicação física ou corporal, no sentido de que se refere aos acontecimentos na história do povo de Deus, praticamente em ordem cronológica, desde a criação até os futuros dias do Juízo Final (leitura lineal desde Gênesis até Apocalipse). Podemos dizer que esta interpretação é a mais básica, a nível corporal, porque é apreendida com o entendimento humano e se refere aos fatos propriamente ditos.
2)      Interpretação individual, de leitura alegórica e aplicação no nível do crescimento pessoal interno de cada pessoa, no sentido em que o que os acontecimentos são interpretados simbolicamente como se referindo às ocorrências dentro da alma humana, a respeito do seu desenvolvimento. A leitura não precisa ser lineal (pois se bem o crescimento se desenvolve numa forma normalmente lineal, sempre pode-se voltar atrás sobre tópicos que não foram aprendidos em seu momento, ou para aprofundar em algumas coisas de difícil compreensão ou complexidade). Podemos dizer que este tipo de leitura se aplica à alma e seu crescimento. É aquele tipo de leitura que busca "lições pessoais" para aplicar à vida cotidiana.
3)      Interpretação espiritual, de leitura também alegórica, mas de aplicação no nível do espírito humano. Esta é a leitura mais difícil da Bíblia, por ser a mais "escondida" aos olhos humanos, sendo que pelo pecado temos os olhos e ouvidos do coração fechados a semelhante entendimento. Só podem aceder a ela as almas nascidas de novo, aquelas que ressurgem da morte causada pelo pecado, e a mesma é indispensável para o verdadeiro crescimento da alma, e não à inversa, como sustenta o humanismo (que requer o crescimento da alma para alcançar o crescimento espiritual). É o tipo de leitura menos praticado, mais desconhecido e mais desvirtuado pelos falsos profetas.
   Queria que vocês pudessem ver as coisas como meu Pai as vê. Tudo neste plano corporal e material é sombra para nosso aprendizado, o que importa em verdade é o plano espiritual, que é mais real que o material. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar [5]. Deus é espírito, mais é muito mais real do que nós (que em verdade existimos pela Sua graça). Todavia, os homens insistem em interpretar o mundo físico e o abstrato com suas mentes finitas... mas isso não passa de sabedoria de homens, uma sabedoria que não cresce com o passar do tempo porque não é verdadeira sabedoria, mas só um acúmulo de conhecimentos. É como uma pessoa que conheça todas as letras do alfabeto de cor, mas que nem por isso saiba ler e escrever.


INTERPRETAÇÃO DE PROFECIAS 
   Os eruditos determinam duas formas de interpretação profética, a alegórica e a literal, mas eu afirmo que eles não conhecem meu Pai. Precisam entender, quando falamos de profecias não interessa tanto o método de interpretação (pois ambos os métodos têm a sua validade, quando aplicados corretamente e sob a guia constante do Espírito Santo), senão a forma de cumprimento das profecias.
   Ora, existe uma dura briga entre os defensores de cada método de interpretação. Posso compreender e validar até certo ponto as defesas que fazem de seus respectivos métodos: os defensores do método alegórico acusam os literais de serem excessivamente "realistas", não dando margem para interpretações simbólicas como, por exemplo, já que o Egito representa o mundo (como a própria Bíblia aclara), podemos também alegorizar o cruzamento do rio Jordão como o novo nascimento, a conquista de Canaã como a luta do cristão contra os poderes demoníacos do pecado em sua vida, etc. Por sua parte, os defensores da interpretação literal acusam os alegóricos de serem excessivamente espiritualizantes, assumindo atitudes além do espiritual, muito mais próximas da fantasia.
   É verdade que dentro dos primeiros podemos encontrar correntes excessivamente limitadoras do poder de Deus, no sentido que só Lhe permitem uma aplicação concreta, realista, visível e comprovável dos fatos, numa atitude absolutamente "tomeana" (do tipo "ver para crer"), descartando qualquer coisa que implique uma segunda intenção, enquanto dentro dos segundos podemos encontrar algumas correntes que chegam a conclusões que não são absolutamente bíblicas.
   Aos primeiros digo: não limitem o poder de meu Pai. E aos segundos aclaro: não inventem coisas em Seu nome, aprendam a distinguir os espíritos como nos pede João.
   As profecias têm:
1)            Cumprimento parcial. As profecias têm um cumprimento parcial em algum momento da história, pois são somente sombras para que saibamos reconhecer os fatos na sua manifestação cabal, quando esses tenham o seu cumprimento total. São como exemplos que nos são dados, mas elas nunca cumprem com todos os requisitos, para que a gente saiba que essa profecia ainda vai se cumprir no futuro.
2)            Cumprimento total. É quando a profecia cumpre com todos os detalhes da mesma, e ninguém pode ter dúvida alguma que a mesma está cumprida. Por sobre todas as coisas, as profecias cumpridas encaixam no Plano de Deus, no plano espiritual, não no físico.
   Nem todas as profecias tiveram um cumprimento parcial antes de ter o seu total. Jesus cumpriu muitas profecias de forma total e absoluta que nunca antes tiveram seu cumprimento parcial, mas isso foi sempre no caso das profecias messiânicas. Já nas profecias escatológicas, todas elas têm um cumprimento parcial para nosso aprendizado, e um cumprimento total (muitas já tiveram, outras ainda estamos esperando). Isso porque não existe ninguém que possa representar, sequer por sombra, a Nosso Senhor, mas muitos homens podem representar as forças do mal que agirão nos tempos apocalípticos (o Anticristo, a Prostituta ou o Falso Profeta, entre outros). 

[1] Mateus 24.35, Marcos 13.31, Lucas 21.33
[2] Niilismo é um conceito filosófico que implica a desvalorização e a morte do sentido, a ausência de finalidade e de resposta ao "porquê". Os valores tradicionais depreciam-se e os "princípios e critérios absolutos dissolvem-se". (fonte: Wikipédia).
[3] Uma Visão Geral dos Sinais dos Tempos, Dr. David R. Reagan (Fonte: http://olharprofetico.com.br)
[4] Tendo em conta estas definições, recomendo a leitura completa do capítulo 7 de Romanos com novo entendimento.
[5] Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. (Tg 1.5)
O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. (Os 4.6)

Autora: ANUNCIADORA DE SIÃO









Relação entre a Revelação e as Escrituras

Relação entre a Revelação e as Escrituras

Nosso conhecimento da revelação, tanto da geral quanto da especial, vem a nós através das Escrituras.

E importante entender a relação entre a revelação e a Escritura. Por um lado, há uma diferença importante entre elas. A revelação, por exemplo, precedeu o seu registro em alguns casos por um longo tempo. Dessa forma, embora certamente houvesse revelação antes de Moisés, ainda não havia Escritura. Além disso, a revelação continha muito mais do que foi posteriormente registrado. Os livros dos profetas, como por exemplo, o do profeta Amos, são geralmente um resumo do que ele falou pessoalmente aos seus contemporâneos. Alguns profetas do Velho Testamento e alguns profetas do Novo Testamento — e eles eram canais da revelação especial — não deixaram registros escritos. E nos somos ate mesmo informados de que Jesus realizou muitos outros sinais, tão numerosos que se cada um deles fosse escrito o mundo não poderia conter os livros (Jo 20.30; 21.25). E por outro lado Deus pode ter revelado algo aos Seus profetas e apóstolos que eles não sabiam até o momento em que começaram a escrever, e portanto, algo sobre o que eles ainda não tinham pregado. Isso é verdade, pelo menos em parte, sobre a revelação que João teve em Patmos com relação ao futuro.

Portanto, a Escritura não é a revelação em si, mas a descrição, o registro que pode ser conhecido da revelação. Todavia, quando se diz que a Escritura é o registro da revelação, nos devemos evitar cair em outro erro.

Inspiração, revelação e iluminação

Inspiração, revelação e iluminação - Estes três conceitos caminham bem juntos, mantendo uma estreita ligação entre si, e são necessários para uma melhor compreensão do ensino das Escrituras. A declaração de W. C. Taylor, missionário batista pioneiro no Brasil, irá nos ajudar a entender a relação destes conceitos entre si e o sentido de cada um:
"Três doutrinas vão sempre juntas, na inteligente apreciação do valor da Escritura: revelação, inspiração e iluminação. Para o autor (do texto bíblico) veio a Revelação; para a Escritura que ele transmite, veio a Inspiração; para o leitor, que busca saber por meio dela a verdade e a vontade de Deus, virá, nas condições de espiritualidade, a Iluminação. Os profetas e os apóstolos foram Movidos. Suas Escrituras foram Inspiradas. Nós somos Iluminados".
O Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, em sua apostila Teologia Sistemática I, define:
Inspiração - O termo vem do latim inspiro, que significa "soprar para dentro". "Inspiração" significa que Deus soprou para dentro do autor bíblico a Sua verdade. O conteúdo das Escrituras não é uma especulação ou uma descoberta humana após uma longa e cansativa pesquisa filosófica. Mas seja qual for o método que o autor usou, ou o que Deus usou com o autor, isto é inspiração. Foi Deus quem colocou na mente e no coração do escritor bíblico a capacidade de apreender e de registrar Sua Palavra. Assim dizemos que a Bíblia nasceu no coração e na mente de Deus. E Ele soprou Suas idéias para o homem. Isto é inspiração.
Na realidade, o que é inspirado não é o escritor humano, mas sim o texto bíblico; "Toda Escritura é inspirada". O termo "inspirada" (theopneustos), de 2 Tm 3.16, expressa mais do que qualquer outra coisa, que o "produto final" de todo o processo - a Escritura, é o que possui a qualidade de ser Palavra de Deus e, portanto, autoridade divina. Os escritores humanos foram "conduzidos" (pheromenoi) pelo Espírito Santo para registrarem o texto "soprado por Deus", o qual possui a autoridade de Palavra de Deus e cuja prerrogativa é ser obedecido (2 Pe 1.21, cf. 1.19).
Revelação - O termo significa "tirar o véu" e mostrar algo que estava encoberto. Neste sentido, "revelação" é o conteúdo registrado pela inspiração. A relação entre os dois termos pode ser definida assim: a inspiração é o automóvel e a revelação é o passageiro. Quando dizemos que "Deus se revelou" estamos dizendo que Ele tirou o véu que O encobria diante dos homens e Se deu a conhecer à humanidade. O propósito da Bíblia é trazer a auto-revelação de Deus aos homens. Ele não revelou o futuro ao homem, nem fatos e questões pessoais. O propósito da Bíblia é falar de Deus. Ele revelou-Se a Si mesmo. Já sabemos que Jesus é o clímax da revelação de Deus: "Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer" (Jo 1.18). Jesus é a maior revelação de Deus e a finalidade da revelação é tornar Deus conhecido dos homens.
"Revelação e inspiração estão estreitamente ligadas, mas distinguem-se em aspectos da verdade bíblica. Nas Escrituras, a inspiração e a revelação, se combinam para assegurar que a Bíblia é a Palavra de Deus, revelando com exatidão fatos sobre o Senhor. A revelação foi o ato da divina comunicação aos escritores da Escritura. Inspiração foi a obra de Deus em guiar e dirigir os escritores da Bíblia para que eles escrevessem a verdade absoluta, mesmo quando ela estivesse além do seu entendimento. A inspiração foi limitada à Bíblia em si, e é mais adequado dizer que as Escrituras foram inspiradas do que dizer que os escritores foram inspirados" (Lewis Chafer).
Iluminação - Esta palavra significa "fazer a luz brilhar". Não somos inspirados simplesmente porque não recebemos a revelação, mas somos iluminados para conhecê-la: "sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da vossa vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos" (Ef 1.18). A iluminação é para que os crentes descubram as grandes verdades reveladas por Deus na Sua Palavra e a aplicação para as suas vidas. É através da iluminação que o Espírito Santo concede aos cristãos a capacidade intelectual de compreenderem o que foi inspirado e revelado nas Escrituras. É impossível entendermos a situação de pecado sem intervenção do Espírito Santo, que produz luz em nossa consciência. A Iluminação acontece porque o homem natural não pode discerni-la (1 Co 2.14); a obra de Cristo na cruz faz sentido (1 Co 1.18); e o Espírito Santo ensina (Jo 14.26).